Desde 2007, altura que fui submetido à minha única lesão desportiva (grave), ruptura do ligamento cruzado e do menisco, deparo que no karate muitas mais lesões têm acontecido. Por diversas razões, pancadas, hiper-extensões, etc. Sendo o karate, um desporto em que o acompanhamento “médico” não é feito na hora, muitas vezes deixamos andar para ver se a dor passa e assim não ter-mos de deixar de treinar e competir. (mal claro, mas só se aprende assim às vezes).

 

Mas eu não queria escrever (desta vez), sobre a recuperação física da lesão mas sim da recuperação desportiva, visto que (mais uma vez) aprendi com a experiência. Como em tudo na vida, quando estamos a (re)educar o nosso corpo ou as nossas capacidades, devemos ter exigências adequadas à aptidão do momento. Isto aplica-se também à parte táctica “da coisa”. Ou seja, se mesmo tendo uma forma física recuperada, as nossas reacções, acções e linhas de pensamento não estão com os índices precisos e necessários para um adversário com mais rotinas e com igual ou mais experiencia que nós.

 

Assim como as equipas dos desportos colectivos fazem para experimentarem tácticas novas ou jogadores novos, para uma nova época, (jogando com escalões inferiores, logo mais acessíveis), também aquele que está a tentar encontrar a nova realidade (pós recuperação motora) deve começar com atletas menos experientes e mais novos até.

 

Por exemplo, se um sénior, estiver a recuperar de uma operação, deve ter este procedimento, porque corre o risco de se lesionar psicologicamente para o resto da “carreira”, porque irá duvidar sempre da “nova” capacidade e assim vai pensar mais, na já reabilitada lesão, que propriamente nas suas boas capacidades. Logo, iniciar com um juvenil, passar para um cadete e assim ir subindo, experimentando um bloco ofensivo, defensivo, o que for, adquirindo performance táctica, isto para o kumite. No caso da kata aconselho as katas básicas, mesmo sendo de outro estilo, assim estimulando a parte cognitiva e depois passar para as superiores.

 

Grande abraço e sejam fortes

 

Fernando Ferreira