Por vezes durante a carreira desportiva, pensamos quando vamos acabar ou se temos uma data prevista para deixarmos de competir. Eu estipulei 2012 como fim da minha jornada competitiva, por varias razões e comentei isso com a minha esposa, Carina, que prontamente disse, “… não acredito, ainda reges muito às imagem desportivas e à competição…”. Eu sorri na altura, mas aquilo ficou-me na cabeça.
E então procurei momentos que me faziam reagir, isto é, ficar com calor, subida enorme de adrenalina, lágrima no olho e com vontade de saltar e de jogar…ora bem, tudo o que implica competição, pessoas a receber medalhas, a festejar um golo, um ponto, uma defesa, um corte da meta ou simplesmente uma mera preparação, um treino puxado, a união de um grupo, uma conquista física ou desportiva. Realmente reajo muito e imagino-me logo no papel de competidor e com vontade de competir, mas já me estou a mentalizar.
Costumo dizer que o atleta deve competir até deixar de sentir esse bichinho, essa vontade e principalmente essa alegria deve estar inerente ao competidor e quando passa a obrigação é hora de deixar “essa vida”. O Luque, competidor de kumite (karate) competiu até tarde, Zanetti, jogador de futebol do Inter, ainda no activo entre outros caso e com sucesso.
Dentro da própria competição sempre tive impulsionadores de adrenalina, quando via o Joaquim Gonçalves, Estêvão Trindade ou o Nuno Dias a competir e sabia que ia a seguir, era o meu doping, também me faziam reagir. Lembro-me que em 2001, fui com o Nuno Dias ao Open de Paris, mas por “teimosia” da Federação na altura, não nos inscreveram, ficando nós a assistir na bancada e entrou o Michel Milon para disputar uma eliminatória, todo o pavilhão parou para ver, no final só nos apetecia fazer kata, uma sensação incrível, uma noção de quanto gostávamos de karate e do ambiente da competição, diria que nesses 2 dias regi bastante.
Pode ser também uma estratégia para o aquecimento, assim como uns usam a música, podem gravar imagens ou pequenos vídeos para ficarem “bombados”.
Grande abraço, sejam fortes
Fernando Ferreira
