Das muitas conversas que tive com pessoal “fora” do Karate , há uma questão que vem sempre à baila. “Se o karate (competição) me dava dinheiro e porque é que o fazia?” “Porque que fazes se não te dá nada, porque investes tanto?”
Bem, realmente deve ser estranhos para os “outros” que não praticam ou nunca competiram em modalidades com menos mediatismo, logo sem grandes ganhos monetários, perceber o porque de continuar ano atrás de ano, a competir, a deixar para trás outras coisas para treinar e competir.
Mas, a minha resposta é sempre mesma…” o karaté é um modo de vida, por isso fará parte da minha rotina até morrer, mesmo quando deixar de competir. E os prémios monetários não são significativos nem nada que se pareça, não é o motor da nossa vontade, o dinheiro. É o sabor da vitória interna de superação, é o gosto da marcação do ponto e gritar como se tivéssemos ganho o campeonato, é representar algo ou um grupo, fazer parte de alguma coisa. E o mais importante e é o que fica, são as relações humanas, experiências vividas com alguém ou ver e sentir a reacção das pessoas, aos nossos momentos, ver alguém rir, gritar, chorar com e pela nossa prestação. È ter alguém como “inimigo”, adversário no tatami e ficar amigo para a vida, ISSO É, O QUE KARATE ME DEU, é o prémio mais valioso.
Claro que se quiserem uma opinião mais elaborada, o karate (competição) e o meu grupo de karate, também me forjou a personalidade, o carácter, os meus valores, os meus ideais e isso não se compra, algo que me ajudou na escola, no trabalho, nas relações familiar e humanas e é o que fica. Por isso o karate afinal deu e dá-me muito.
Sejam fortes, grande abraço
Fernando Ferreira
