Archive for Outubro, 2011


A crise… desportiva

Crise, crise e mais crise, deve ser a palavra mais usada e ouvida no ano de 2011. Sem dúvida que a crise é uma realidade e está na nossa “casa”, presente em todo lado e não foi convidada.

 

Isso nota-se em tudo o que envolve a actividade física e desportiva, os orçamentos das juntas de freguesia ou câmaras municipais que tinham como destino essa mesma área foram muito reduzidas ou não foram contempladas, assim como federações e clubes desportivos.

 

Como não poderia deixar de ser, havendo tantos cortes, as famílias também os fazem e quando não há possibilidade, o 1º corte acontece no “ginásio”. Por vezes não dando a real importância do “treino” ou da sessão, do desanuviar de uma realidade angustiante vivida ultimamente. Quando digo isto, é porque existem famílias que cortam nessa possibilidade mas continuam a gastar, “uma mensalidade”, para ir jantar fora. Penso que não é o mais sensato. Mas claro que existe aquelas que têm mesmo que cortar e não “jantam” fora, nestes caso, deve haver uma “humildade” do praticante em pedir que lhe seja solicitada uma “ajuda social” na prole da continuidade e melhoramento de um futuro de bem estar e valorização desportiva, se for o caso.

 

Se for ginásio é mais fácil falar do que acontecer, pelo aspecto “mercantil” desse local, para um clube apenas de karate ou futebol, isto é, de apenas uma modalidade, a possibilidade dessa ajuda é mais simplificada, havendo iniciativa do praticante.

 

Por isso existe sempre possibilidade de continuar a treinar e não deixar que a crise nos prejudique ainda mais do que já está a fazer.

 

Sejam fortes um grande abraço

 

Fernando Ferreira

Desde 2007, altura que fui submetido à minha única lesão desportiva (grave), ruptura do ligamento cruzado e do menisco, deparo que no karate muitas mais lesões têm acontecido. Por diversas razões, pancadas, hiper-extensões, etc. Sendo o karate, um desporto em que o acompanhamento “médico” não é feito na hora, muitas vezes deixamos andar para ver se a dor passa e assim não ter-mos de deixar de treinar e competir. (mal claro, mas só se aprende assim às vezes).

 

Mas eu não queria escrever (desta vez), sobre a recuperação física da lesão mas sim da recuperação desportiva, visto que (mais uma vez) aprendi com a experiência. Como em tudo na vida, quando estamos a (re)educar o nosso corpo ou as nossas capacidades, devemos ter exigências adequadas à aptidão do momento. Isto aplica-se também à parte táctica “da coisa”. Ou seja, se mesmo tendo uma forma física recuperada, as nossas reacções, acções e linhas de pensamento não estão com os índices precisos e necessários para um adversário com mais rotinas e com igual ou mais experiencia que nós.

 

Assim como as equipas dos desportos colectivos fazem para experimentarem tácticas novas ou jogadores novos, para uma nova época, (jogando com escalões inferiores, logo mais acessíveis), também aquele que está a tentar encontrar a nova realidade (pós recuperação motora) deve começar com atletas menos experientes e mais novos até.

 

Por exemplo, se um sénior, estiver a recuperar de uma operação, deve ter este procedimento, porque corre o risco de se lesionar psicologicamente para o resto da “carreira”, porque irá duvidar sempre da “nova” capacidade e assim vai pensar mais, na já reabilitada lesão, que propriamente nas suas boas capacidades. Logo, iniciar com um juvenil, passar para um cadete e assim ir subindo, experimentando um bloco ofensivo, defensivo, o que for, adquirindo performance táctica, isto para o kumite. No caso da kata aconselho as katas básicas, mesmo sendo de outro estilo, assim estimulando a parte cognitiva e depois passar para as superiores.

 

Grande abraço e sejam fortes

 

Fernando Ferreira

Por vezes durante a carreira desportiva, pensamos quando vamos acabar ou se temos uma data prevista para deixarmos de competir. Eu estipulei 2012 como fim da minha jornada competitiva, por varias razões e comentei isso com a minha esposa, Carina, que prontamente disse, “… não acredito, ainda reges muito às imagem desportivas e à competição…”. Eu sorri na altura, mas aquilo ficou-me na cabeça.

            E então procurei momentos que me faziam reagir, isto é, ficar com calor, subida enorme de adrenalina, lágrima no olho e com vontade de saltar e de jogar…ora bem, tudo o que implica competição, pessoas a receber medalhas, a festejar um golo, um ponto, uma defesa, um corte da meta ou simplesmente uma mera preparação, um treino puxado, a união de um grupo, uma conquista física ou desportiva. Realmente reajo muito e imagino-me logo no papel de competidor e com vontade de competir, mas já me estou a mentalizar.

            Costumo dizer que o atleta deve competir até deixar de sentir esse bichinho, essa vontade e principalmente essa alegria deve estar inerente ao competidor e quando passa a obrigação é hora de deixar “essa vida”. O Luque, competidor de kumite (karate) competiu até tarde, Zanetti, jogador de futebol do Inter, ainda no activo entre outros caso e com sucesso.

            Dentro da própria competição sempre tive impulsionadores de adrenalina, quando via o Joaquim Gonçalves, Estêvão Trindade ou o Nuno Dias a competir e sabia que ia a seguir, era o meu doping, também me faziam reagir. Lembro-me que em 2001, fui com o Nuno Dias ao Open de Paris, mas por “teimosia” da Federação na altura, não nos inscreveram, ficando nós a assistir na bancada e entrou o Michel Milon para disputar uma eliminatória, todo o pavilhão parou para ver,  no final só nos apetecia fazer kata, uma sensação incrível, uma noção de quanto gostávamos de karate e do ambiente da competição, diria que nesses 2 dias regi bastante.

            Pode ser também uma estratégia para o aquecimento, assim como uns usam a música, podem gravar imagens ou pequenos vídeos para ficarem “bombados”.

 

Grande abraço, sejam fortes

Fernando Ferreira

“É o que fica….”

Das muitas conversas que tive com pessoal “fora” do Karate , há uma questão que vem sempre à baila. “Se o karate (competição) me dava dinheiro e porque é que o fazia?” “Porque que fazes se não te dá nada, porque investes tanto?”

 

            Bem, realmente deve ser estranhos para os “outros” que não praticam ou nunca competiram em modalidades com menos mediatismo, logo sem grandes ganhos monetários, perceber o porque de continuar ano atrás de ano, a competir, a deixar para trás outras coisas para treinar e competir.

 

            Mas, a minha resposta é sempre mesma…” o karaté é um modo de vida, por isso fará parte da minha rotina até morrer, mesmo quando deixar de competir. E os prémios monetários não são significativos nem nada que se pareça, não é o motor da nossa vontade, o dinheiro. É o sabor da vitória interna de superação, é o gosto da marcação do ponto e gritar como se tivéssemos ganho o campeonato, é representar algo ou um grupo, fazer parte de alguma coisa. E o mais importante e é o que fica, são as relações humanas, experiências vividas com alguém ou ver e sentir a reacção das pessoas, aos nossos momentos, ver alguém rir, gritar, chorar com e pela nossa prestação. È ter alguém como “inimigo”, adversário no tatami e ficar amigo para a vida, ISSO É, O QUE KARATE ME DEU, é o prémio mais valioso.

 

            Claro que se quiserem uma opinião mais elaborada, o karate (competição) e o meu grupo de karate, também me forjou a personalidade, o carácter, os meus valores, os meus ideais e isso não se compra, algo que me ajudou na escola, no trabalho, nas relações familiar e humanas e é o que fica. Por isso o karate afinal deu e dá-me muito.

Sejam fortes, grande abraço

 

Fernando Ferreira

A época de competição iniciou-se com a chegada do mês de Setembro, acabaram as férias e tudo volta a empeçar. È uma maravilha o sentimento de principiar algo, novos objectivos são traçados, novos desafios são lançados, a caixinha de sonhos é de novo aberta.

 

È um sentimento extraordinário, que devemos levar sempre que começamos uma competição, corrigir o que fizemos de mal na época transacta, melhorar os aspectos positivos (podemos sempre fazer melhor o que já sabemos fazer) e ter sempre uma surpresa na manga, para os que já nos conhecem.

 

Visionar uma “meta” para cada competição e elas deverão ser realistas, isto é, devemos querer ganhar sempre mas saber como estou, para onde vou e como vou preparado e dependendo da competição traço “alvos”, meias finais, 2 combates etc, sabendo que ao atingir esse objectivos, não posso ficar satisfeito e ir o mais longe possível e dai tirar ilações… Não menosprezar nenhum adversário mas também não pensar que o outro é superior, existe forma de ganhar, seja a quem for.

 

A festa começou, desejo uma época desportiva extraordinária e sejam fortes porque nem tudo vai correr bem e nem tudo vai correr mal.

 

Grande abraço, Fernando Ferreira

OS JOGOS PAN-AFRICANOS

Os tão esperados “Jogos Olímpicos de África” tiveram (e ainda continuam) lugar na cidade de Maputo – Moçambique. Algo que nunca tinha vivenciado e que esperava com muita expetativa, a nível da própria competição, relacionamento com outros atletas e outras modalidades.

 

            Algo extraordinário acontece quando o Desporto aparece, faz sobressair o lado afável e animalesco do ser humano (na competição). O dia de abertura dos Jogos é algo mágico, dificilmente captado pelas pessoas que apenas estão a ver em casa ou sentadas no estádio. È arrepiante quando chamam por nós (o país) e toda a multidão nos acolhe numa mistura de palmas e ovações, algo que me irá marcar para o resto da vida, sem dúvida. Aquela mescla de culturas e valores é impressionante, alguns de fato de treino, outros de fato de cerimónia e outros tantos de fatos tradicionais desfilaram pela pista de “atletismo” numa espécie de passerelle improvisada deixando um perfume do que se iria passar nos dias restantes.

 

            Relativamente à competição não irei prenunciar, apenas dizer que não atingimos os objectivos propostos, por variadíssimas razões, mas em, quem eu deposito mais responsabilidade são nos próprios atletas (onde eu estou inserido) não estivemos como era de esperar, por motivos diversos também, não nos culpo nem nos ilibo, apenas somos nós que subimos no tatami logo dirigimos as nossas acções. Um dia falarei sobre as razões verdadeiras do traçar das metas (sinceramente utópicas para a nossa realidade) e as razões porque falhamos as mesmas.

 

            Num processo de reflexão a tendência era “fechar” a carreira desportiva e conversei várias vezes com a minha esposa sobre isso, mas sinceramente ainda não me sinto preparado (e ela também não, apesar de ser boa noticia para o seio familiar) e novas metas foram traçadas, porque eu funciono assim, por objectivos…..Visto isto um período descanso só vai fazer bem…a época terminou e começou ao mesmo tempo J

 

Sejam fortes e até para a semana….

 

 

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